sábado, 12 de novembro de 2011

É um até já (...)

O vento deixou de soprar com a mesma intensidade, a música parou, o sorriso sumiu repentinamente e o sol perdeu o brilho, eram tudo sinais, tudo se estava a desmoronar e eu continuava ali, cega entre quatro paredes, contagiada pela escuridão e pelo silêncio que me rodeava. Não me preocupei em sair, não me preocupei em proteger o meio em que me encontrava, já nada interessava.
O que mais temia estava a acontecer naquele preciso momento, todas as promessas tinham sido quebradas, todas as fotografias rasgadas e todas as memórias apagadas, já nada restava para além do caos.
Foi então que percebi que a vida é um barco carregado de sonhos, sonhos que vão sendo deixados para trás durante a viagem, sonhos que muitas vezes tornam inevitável o naufrágio e eu ... eu perdi a força para remar , perdi a força para procurar um porto seguro, para recuperar todos os sonhos e reconstruir tudo aquilo que estava a ser destruído.
No entanto já era tarde, já não dependia apenas de mim. Várias pessoas estavam envolvidas e não havia volta a dar. Então decidi fugir, fugir dos meus erros, das minhas dúvidas, dos meus medos, das minhas hesitações e do sítio que sempre chamei "casa" não num acto de cobardia, mas sim num acto de desespero.
Estava na altura de seguir em frente e encontrar um rumo. E, mesmo ouvindo a dolorosa frase “ não podes ir, o teu lugar é aqui (…)” decidi partir sem olhar para trás e lutar como uma verdadeira guerreira, deixando para trás apenas simples pedaços de papel proferindo que a minha partida não deveria ser vista como um "adeus" mas sim como um “até já”.
Resta-me agradecer a todos aqueles que sempre estiveram do meu lado mesmo quando todos estavam contra, a todos aqueles que nunca duvidaram da minha palavra mesmo me conhecendo há pouco tempo e mesmo àqueles que mesmo duvidando nunca me viraram as costas, OBRIGADA.
Quanto àqueles que me viraram as costas, me desiludiram e inventaram coisas a meu respeito, também fica aqui um obrigado. Não por me terem feito feliz, mas por me terem feito perceber o verdadeiro significado da palavra AMIGO, pois um amigo de verdade não é necessariamente aqueles que conhecemos há muitos anos, mas muitas vezes aquele que conhecemos “ontem” ao virar da esquina;)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Saudade

Já passou muito tempo, já não sei se tudo tem o mesmo significado que teve no passado, tudo parece diferente mas ao mesmo tempo tão igual, eu não sei, não sei o que pensar.
Sem ti aqui só dá para ter certeza de uma coisa, apesar de custar eu admito, tu fazes-me falta.
Fazes-me mais falta do que alguma vez pude imaginar. Sempre soube que não eras apenas o rapaz das saídas, das aventuras, das horas vagas (…) sempre soube mas nunca te quis dizer, nunca quis admitir, apesar de saber que no fundo o sabias.
Agora as horas passam e dou por mim a recordar momentos que na altura não foram devidamente valorizados, agora sinto que é por eles que vivo, é por eles que continuo a acreditar o tempo todo no teu regresso. Gostava de ter dito para ficares comigo, para me dares a mão e caminharmos juntos de cabeça erguida e com um sorriso nos lábios, como sempre fizemos, mas não o fiz, não por não ter vontade … mas por continuar a mesma orgulhosa de sempre.
Mas agora eu admito, tenho medo que não voltes e que tudo tenha acabado daquela maneira, tenho medo de não puder voltar a olhar-te nos olhos, não puder voltar a sentir-te e principalmente, de não puder voltar a ouvir um amo-te teu. Apesar de todos os conflitos, apesar de todas os mal-entendidos sei que vou sentir saudades das nossas tardes, das poucas horas que passávamos juntos, mas que eram o suficiente para puder dizer que contigo sou ou era a rapariga mais feliz do mundo.
Não desistas de nós agora, não antes de te mostrar que estás errado. A distância nunca foi nem nunca será a melhor defesa. Faz com que não volte acreditar que o amor é uma farsa e que ficarei bem sozinha, volta nem que seja por uma noite mas deixa uma prova como tudo não passou de um sonho, só assim ficarei bem de novo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O fim

Vivia num mundo onde tudo era fantástico, onde tudo era exactamente como eu queria e desejava, não haviam limites, não existiam traições… vivia num mundo que só poderia ter uma designação possível, o mundo perfeito.
Acordei e percebi que tudo não passou de um sonho, tudo perdeu a cor, já nada tinha o mesmo sabor e eu.. eu continuava sozinha, sem a pessoa que me fazia levantar com um sorriso nos lábios , sem o rapaz que mais amei em toda a minha vida.
Bati a porta com força, fechei-me no quarto e chorei. Fartei de viver rodeada de gente que me engana constantemente, de sorrir quando na verdade me apetece chorar, de confiar quando na verdade sei que não o posso fazer. Percebi que não agi no momento certo, não pedi desculpa com medo de não ser perdoada e não mostrei o que sentia por não ter coragem.
Então saí à rua e escondi-me sem intenção de ser encontrada, fugi sem intenção de voltar, tentei sobreviver mesmo sem vontade de viver, lutei contra o mundo mesmo sabendo que ia perder, amei sem ser amada, perdoei sem ser perdoada, dei sem receber nada em troca e por fim desisti mesmo acreditando na vitória.
No entanto apesar de todos os erros, aprendi que mesmo o melhor jogador perde, posso não ser a melhor, mas perdi. Perdi não por não ter força, não por não ter vontade de vencer, perdi porque me deixei apaixonar por um ser hipócrita que vive apenas para satisfazer as suas próprias necessidades. Cheguei a pensar que tudo era uma ilusão, que estava a ser egoísta e a exigir demasiado dele, mas não. Agora sei que a minha vida não passa de um puzzle onde faltam peças, um puzzle destruído por decisões mal tomadas e acções feitas inconscientemente, tudo porque fiz os possíveis e os impossíveis para agradar àquele a quem chamava homem da minha vida.
No entanto não valia a pena remar contra a maré, não valia a pena lutar por algo que já tinha perdido, no fundo ambos sempre soubemos desde o inicio que estávamos no mesmo barco e o naufrágio era inevitável. 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Haverá sempre um nós.


Tudo tinha voltado ao mesmo, começaram as discussões já nada estava bem de novo. Fiquei revoltada e só me ocorria que o melhor era desistir e acabar com aquela farsa. Desta vez prometi que não ia chorar, que não ia fugir nem me esconder, ia simplesmente manter-me firme e dizer “acabou”.
De um momento para o outro ali estávamos, frente a frente. Olhei-o nos olhos mas, o olhar dele tão penetrante não me deixava dizer nem uma palavra, não me deixava dar nem um passo, eu no fundo sabia que não ia ser capaz de acabar algo tão forte daquele jeito.
Passados uns minutos senti-me esgotada e desviei o olhar, não aguentava mais olhar para aqueles olhos que pareciam dizer “eu amo-te pequenina”, naquele momento só pensei em virar costas e ir-me embora, mas tão depressa me virei como senti a sua mão segurar-me firmemente o braço.
Fiz um enorme esforço mas não consegui cumprir a promessa que tinha feito inicialmente e senti uma lágrima a escorrer pelo rosto, preocupado perguntou-me porque estava a chorar e então explodi, disse tudo o que sentia, disse que já não fazia sentido continuar uma relação baseada em discussões estúpidas que me destruíam dia após dia, olhei-o novamente nos olhos e disse “desculpa mas acabou”. Largou-me lentamente o braço e virou-me costas, pensei de imediato que se ia embora e chorei com mais intensidade. Mas não, ficou ali de costas voltadas para mim durante largos minutos, ensurdecida pelo seu silêncio aproximei-me e com o meu movimento voltou-se para mim e pela primeira vez, vi-o chorar… não dei nem mais um passo, fiquei sem reacção. Então em silêncio aproximou-se, agarrou-me a mão e puxou-me suavemente, não sabia para onde íamos, mas deixei-me levar.
Chegamos perto de um rio, sentou-se e puxou-me para o seu colo, conseguia ver o que sentia no seu olhar, estava magoado. Por um lado eu sabia que tinha ido longe demais, mas não pedi desculpa, no fundo estava apenas a tentar encontrar respostas que sabia que nunca iria encontrar, além disso sabia que estava demasiado envolvida nos seus jogos não sabia se estava a ser sincero ou como bom jogador que era me estava a enganar novamente.
No entanto, olhando fixamente nos seus olhos resolvi arriscar, não tinha nada a perder, beijei-o intensamente e senti que entramos numa viagem pelo imenso céu azul, éramos apenas nós, ambos sabíamos que lá ninguém nos ia separar e nenhuma tempestade nos iria destruir.
Amo-te.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Labirinto

Tento ser feliz, mas às vezes não consigo, acabando por desistir. Tudo que era concreto torna-se incerto, tudo que fazia sentido, deixa de o fazer, mas mesmo assim há sempre a luz ao fundo do túnel.
Mesmo estando no meio da multidão sinto-me sozinha e é deste modo que tenho de caminhar, é desta forma que consigo concentrar todas as minhas forças no meu objectivo, chegar ao fundo do túnel e ser feliz.
Mas… será este o caminho a seguir? Será que serei feliz no final? Muito provavelmente não, como é que alguém pode ser feliz sozinho? Se alguém o consegue ser, parabéns. Eu não sou capaz.
É através dos erros que aprendemos, toda a gente os comete e não devemos pagar pelo mesmo erro até ao fim das nossas vidas. Por isso às vezes prefiro errar, prefiro seguir o caminho errado, porque sei que com este caminho irei descobrir e aprender coisas novas, irei tornar-me numa pessoa melhor. No entanto, tento sempre voltar ao caminho certo, mas por vezes tenho dúvidas, haverá na realidade caminho certo? Se há, ninguém o percorreu na totalidade nem percorrerá, porque todos nós estamos num labirinto, onde temos que percorrer caminhos certos e errados infindas vezes sem nunca sabermos onde estes vão dar, pois neste labirinto tudo é incerto e todos que entram nele jamais sairão sem cometer erros.
Eu acredito que no final tudo valerá a pena, todos os sorrisos, todas as lágrimas, todos os desgostos, todas as alegrias e todos os amores e desamores, porque apesar das coisas más, eu não caminho sozinha, pois sei que tenho AMIGOS do meu lado que fazem com que até as coisas más valham a pena.
Eu tinha uma ideia do que era a amizade, mas foi convosco que descobri o verdadeiro valor desta, OBRIGADA.

Raquel, Cláudia, Dani, Isabel, Cátia, Maria, Márcia, Tatiana, Joana, Débora, Sofia, Ângela
Rodrigo, David, Pedro, Luís, Zé, João, André, Tiago

sábado, 26 de março de 2011

O segredo da escuridão.

Tudo estava errado, saí à rua e corri, corri pelos caminhos escuros e sombrios, corri sem olhar para trás. Já não havia volta a dar, sentia-me como aquela noite … escura e vazia.
Sem forças caí no chão, não tinha para onde ir, não sabia o que pensar, tudo o que alguma vez conquistei.. perdi. Percebi que sempre fui uma falhada, nunca tive muita força para lutar, era tarde demais para voltar atrás então levantei-me e continuei a caminhar pela escuridão.
Ao virar da esquina deparei-me com um vulto, sobressaltada dei um passo para trás, o ódio e a raiva que sentia transformaram-se em medo até que ouvi uma voz suave dizendo: - espera, não tenhas medo, vem cá pequena. – Fiquei perplexa no mesmo sítio, não tinha forças para dar nem mais um passo. O rapaz aproximou-se de mim, agarrou a minha mão com força e disse: - não chores, eu estou aqui para te ajudar. – Não sabia o que pensar, não sabia o que dizer, tudo me parecia confuso, já nada tinha lógica, estaria eu a sonhar? Então, como por um impulso, abracei-o com todas as forças que me restavam e senti algo que nunca tinha sentido antes, era como se fossemos apenas nós, não havia mais nada, por momentos senti-me completa, senti que tinha tudo aquilo que alguma vez sonhei.
A chama daquele amor tão forte e ardente assustaram-me e afastei-me, o medo tornou a invadir-me a alma, não podia confiar em alguém que nunca tinha visto antes, até porque todos me apunhalaram pelas costas, todos aqueles que achava que nunca me iriam magoar, desiludiram-me. No entanto o brilho dos olhos dele fascinaram-me, naquela noite escura senti que ele era o meu porto de abrigo, uns olhos tão brilhantes e sinceros não podiam mentir, não podiam esconder qualquer maldade que fosse, fiquei completamente rendida aos seus encantos. Então, lentamente tornou a aproximar-se de mim, deu-me a mão e, puxando-me para ele sussurrou: -Acredita que mesmo na escuridão serei verdadeiro*